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21/06/10
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A apresentação foi feita pelo pesquisador João Demarchi, do Instituto de Zootecnia (IZ), da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado.
O pesquisador alerta que, se de um lado o gás metano contribui para o aquecimento global, de outro existe o sequestro de carbono pelas pastagens e a emissão de ácido nitroso gerado pelas fezes e pela urina dos bovinos (propício para fertilização do solo).
A maioria dos bovinos do Brasil é mantida em pastagens, onde as fezes são degradadas na presença de ar (degradação aeróbica), não produzindo metano, conforme afirma a diretora IZ, Maria Lucia Pereira Lima. "Essa situação é completamente diferente de animais estabulados, cujas instalações são lavadas e as fezes são fermentadas na forma úmida, em tanques, produzindo muito metano."
Os trabalhos realizados pelo IZ, diz Maria Lucia, demonstram que um bovino pode produzir entre 42 e 80 quilos de gás metano por ano e que, em média, chega a 57 quilos por animal/ano, semelhante aos dados mundiais. "Existem várias pesquisas visando diminuir a produção de metano, usando-se aditivos nas rações ou mesmo probióticos que interferem no metabolismo da digestão dos bovinos. É possível diminuir em até 30% a emissão pelo rúmen, dependendo da alimentação."
Das emissões de gases de origem antrópica, o metano representa 14% do total e o gás carbônico é o mais importante, com 60% das emissões, observa a diretora do IZ. "Ainda considerando o metano, os ruminantes são responsáveis em apenas 22% do metano produzido pela humanidade, sendo os rios poluídos e lixões os grandes contribuidores nas emissões."
A população brasileira de bovinos está em torno de 180 milhões de cabeças, que produzem 9,4 milhões de toneladas de metano por ano. Isso representa apenas 2,5% do que é gerado pela humanidade. "Qualquer esforço em diminuir essa produção não trará nenhum benefício à humanidade”, diz Maria Lucia.
Segundo a pesquisadora, os bovinos são ruminantes, capazes de aproveitar o capim, por apresentarem um de seus estômagos - o rúmen - com capacidade de abrigar bactérias, que em simbiose degradam o capim e o transformam em proteína, aproveitada depois pelo bovino. "Nesse processo digestivo, é gerado um excesso de hidrogênio e, para se livrar desse excedente, os animais desenvolveram a capacidade de produzir metano (CH4), que é transformado facilmente em gás carbônico (CO2) por queima ou faísca elétrica. Esse processo foi criado há milhares de anos."
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