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Artigos: Suplementação de Novilhos Nelore em Pastejo de Brachiaria brizantha
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Autor: Antônio Chaker El-Memari Neto

Introdução
 
Terminação de bovinos é caracterizada pela elevação da deposição da gordura corporal e, conseqüentemente, pelo aumento na exigência energética (NRC,1996). Dessa forma, um aporte basicamente protéico não oferece condições necessárias para obtenção de elevado desempenho produtivo, em animais, neste estado fisiológico.
 
Assim, é destacada a necessidade de inclusão defontes energéticas da dieta de animais em terminação. Estas fontes suplementares baseiam-se principalmente em grãos de cereais e oleaginosas, os quais apresentam elevada quantidade de carboidratos não estruturais etriglicerídeos, respectivamente. As variações entre as fontes energéticas relacionam-se com o substrato, tipo e local de digestão.
 
Diversas fontes energéticas são fermentadas no rúmencom a produção de diferentes ácidos graxos voláteis. Por outro lado, existem ainda fontes energéticas que escapam da fermentação ruminal e sofrem processo de digestão química semelhante ao ocorrido com animais não ruminantes.

Diante destes fatos, observaram-se diferentes vias metabólicas com o mesmoobjetivo final, que é o suprimento energético líquido. Entre os carboidratos não estruturais, o amido caracteriza-se como a principal fonte desuplementação. A degradação ruminal do amido é, nasua maior porção, executada pelas bactériasamilolíticas, sendo em menor escala hidrolisado porfungos e protozoários (Huntington, 1997).

Além do amido, os lipídeos são fornecidos como fontes suplementares, já que são componentes principais de oleaginosas de ampla utilização na dieta deruminantes. As fontes de lipídeos que tem se destacam na alimentação de ruminantes são, principalmente, semente de soja, algodão e canola. Segundo Van Soest (1994), a utilização de ácidos graxos pelas bactérias ruminais é restrita.

O excessode ácidos graxos insaturados e triglicerídeos pode causar alteração na fermentação ruminal, devida à supressão das atividades de bactérias celulolíticas emetanogênicas, geralmente, gram positivas. O mesmo efeito não é observado quando se utilizam fontes saturadas. Informações semelhantes são descritas por Villela et al. (1997) e Zinn & Pascencia (1997). O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito dos diferentes níveis (0,7 e 1,4% PV) e fontes de suprimento energético (amido e óleo), bem como sua mistura sobre desempenho de novilhos nelore em pastejo de capim B.brizantha (hoecht) Staf cv.Marandu, em fase de terminação.

Resultados e Discussão

Foram registradas diferenças entre os suplementos fornecidos (P<0,05), níveis de suplementação e períodos(P<0,01). Não foi observada diferença para as interações. Os dados de peso vivo inicial, consumo diário do suplemento e desempenho animal são apresentados na Tabela 4. Para o menor nível de suplementação, 0,7% dopeso vivo (0,7% PV), os animais que receberam o suplemento amido + óleo (A+O) apresentaram ganho de peso vivo médio diário (GMD) de 572,5g, sendo assim superior em relação àqueles que receberam os suplementos à base de amido (AMI) de 457,3 g ou deóleo (OLE) de 437,5 g, os quais não deferiram entre si. O mesmo comportamento foi observado para o nível de suplementação de 1,4% PV. O ganho médio diário dos animais que receberam a suplementação com A+O foi de 716,5 g/anim./dia que diferiu daqueles que receberamo suplemento com AMI (575,9 g) ou com OLE (611,2 g), os quais não diferiram entre si.

Nota-se que, em ambos os níveis de suplementação (0,7 e 1,4% PV), a misturade alimentos milho + caroço de algodão (A+O), ou melhor a mistura dos nutrientes amido + óleo proporcionou maior desempenho dos animais. Evidenciou-se, diante desta característica, o efeito associativo positivo entre os alimentos. Segundo Hucket al. (1998), este efeito se caracteriza quando o desempenho animal é superior aquele predito baseado nas médias dos grãos fornecidos separadamente. Os possíveis mecanismos para ação do efeito associativo referem-se à melhor dinâmica de degradação ruminal, bem como de absorção intestinal, quando ocorre autilização da mistura de alimentos.

Observa-se que os ganhos médios registrados no experimento são menores que os apresentados na literatura para período, nível de suplementação e características de suplementos semelhantes. Ressalta-seque o GMD para todo período experimental foi de 489,1 e 634,5 g para 0,7 e 1,4% do PV, respectivamente para os suplementos que continham em média 21% de PB e 72% de NDT. A variação de desempenho quando adotada a suplementação em pastejo na época seca é elevada. Como destacado por Alberto (1997), o desempenho com suplementação em pastejo é determinado pela interação de uma gama de fatores.

Desta forma, diferenças registradas entre os trabalhos podem estar ligados aos parâmetros relacionados às interações forragem:suplemento:animal, as quais são caracterizadas individualmente a cada experimento. Apesar da literatura apontar maiores ganhos queos obtidos no presente trabalho, Thiago (1999) descreveu que um suplemento de, aproximadamente,
20% de PB e 80% de NDT e nível de suplementação de 0,8 a 1% do PV e boa disponibilidade de forragem permite um ganho aproximado de 500g.

Esta informação admite o ganho médio diário (GMD) obtido no experimento dentro da faixa esperada. Por outrolado, o pequeno diferencial de 145g registrado entreas médias de GMD obtidas para os níveis de fornecimento de 0,7 e 1,4% do PV são relativamente baixos, apontando possíveis efeitos negativos relacionadosao elevado nível de suplementação. Os impactos negativos da sobrecarga ruminal do amido, quando fornecido em maiores quantidades naração, referem-se principalmente a reduções de pHe conseqüente digestibilidade da forragem, já que asbactérias celulolíticas são sensíveis à queda de pH(Caton & Dhuyvetter, 1997).

A elevação decarboidratos não estruturais da dieta fornece maior aporte de substrato para os microorganismos produtoresde propionato. Ocorre maior produção total deácidos graxos voláteis (AGV), bem como a maior produção individual de lactato e conseqüente quedano pH ruminal (Russel, 1998). Este acúmulo de ácidos no rúmen pode causar danos ao epitélio dorúmen e inibir a atividade dos microrganis moscelulolíticos (Orskov et al., 1971, citados por Zeoula& Caldas Neto, 2001) e induzir reduções na ingestão da forragem e na ingestão total de matéria seca (Grant,1994) pela redução na digestibilidade da fibra. Além do aspecto da redução do pH, outro fator que pode ter influenciado nos resultados é a elevação do fluxo intestinal do amido, quando grandes quantidades são fornecidas (Zeoula & Caldas Neto, 2001).

Segundo revisão realizada por estes autores, o aumentono fluxo intestinal de amido é inversamente relacionado com sua digestão. Owens et al. (1986) enumeraram os seguintes fatores como os possíveis responsáveis pelas limitações da digestão do amido no intestino delgado: 1)limitação da amilase, maltase ou isomaltase, devido àinadequada produção, presença de enzimas inibidorasou as variações do pH intestinal; 2) limitada capacidadede absorção de glicose pelo intestino delgado; 3) tempo insuficiente para a completa hidrólise e 4)inadequado acesso das enzimas ao grânulo de amido. Segundo Harmon (1993), a concentração dea-amilase pancreática é aumentada com a elevaçãodo nível energético da dieta, mas não com a elevaçãona ingestão de carboidratos. Huntington (1997) descreve que o aumento do fluxo de proteína para o intestino delgado acarreta um aumento na síntese deamilase pancreática e conseqüente elevação naeficiência de utilização intestinal do amido. O maior aporte protéico no intestino pode ser resultante da utilização de fontes de proteína de baixa de gradabilidade ruminal ou pela elevação na produção de proteína microbiana.
 
Fonte: Antônio Chaker
 
Fonte: Antônio Chaker

Esta , por sua vez, dependeda sincronização da degradabilidade ruminal entreas fontes de proteína e amido. O limite superior relatado para a ótima digestão do amido no intestino para animais em crescimento éde 480 a 960 g/dia (Kreikemeier, 1991). Se considerarque o suplemento rico em amido (AMI) contém 57%de amido (Tabela 2), que 30% do amido do milhões capa da fermentação ruminal (Coelho da Silva &Leão, 1979) e que praticamente todo amido presente no suplemento AMI foi oriundo do milho (78% demilho na composição), pode-se inferir que o fluxo de amido para o intestino foi da ordem de 479 e 975g/dia para os níveis de 0,7 e 1,4% do PV, respectivamente.

Portanto, para o maior nível de suplementação, verifica-se que o fluxo de amido estaria no limite superior de 960 g/dia. Se a suplementação de 1,4% do PV causou eventuais problemas metabólicos gerados pela sobrecarga ruminal do amido, pode ter afetado asíntese de proteína microbiana e, conseqüentemente, a produção de a-amilase pancreática, limitando o aproveitamento intestinal do amido. Não apenas o excesso de carboidratos não estruturais, mas também os lipídeos podem alterar afermentação ruminal. Segundo Valadares Filho (2000), em geral, os efeitos da adição de lipídeos sobre afermentação ruminal parecem depender da quantidadee da fonte dos mesmos. Os lipídeos insaturados e os ácidos graxos de cadeia curta apresentam maisefeitos do que os saturados e os ácidos graxos decadeia longa, enquanto os sabões de cálcio apresentam mínimos efeitos sobre a fermentação ruminal.

A digestão no rúmen dos carboidratos estruturais é reduzida pela adição de lipídeos às dietas e o grau de redução depende das fontes de fibra e de lipídeos, enquanto que a fermentação ruminal do amido émenos, ou não é influenciada pela adição de lipídeos(Galyean & Owens, 1991). O efeito negativo da utilização de gordura tambémé descrito por Van Soest (1994), destacando que autilização de ácidos graxos pelas bactérias ruminais érestrita.

Neste caso, o excesso de ácidos graxos insaturados e triglicerídeos pode causar a supressão das bactérias celulolíticas e metanogênicas. Maczulacet al. (1981) descreveram que este efeito é devido àligação dos lipídeos com a membrana celular das bactérias fibrolíticas, dificultando assim a absorção denutrientes. Além disso, é descrita a possibilidade das gorduras cobrirem as partículas dos alimentos e inibira colonização e digestão dos carboidratos (Santos &Almstanden, 1991).

É importante destacar que os efeitos indesejáveis descritos acima estão mais estreitamente relacionados com perdas econômicas do que sanitárias. Isto sedeve ao fato de o primeiro impacto ser a diminuiçãodo desempenho e, apenas após, a apresentação patogênica dos distúrbios metabólicos. A sincronização na degradação de fontes deproteína e carboidratos pode levar a uma maximização da eficiência microbiana e em conseqüência elevação no desempenho (NRC, 1996). Os parâmetros de degradabilidade ruminal da matéria seca (MS) dos diferentes suplementos são apresentados na Tabela 5. Observam-se os menores valores (P<0,01) dedegradabilidade potencial e degradabilidade efetiva daMS, para as diferentes taxas de passagem de sólidos, para o suplemento OLE e as maiores para o suplementoAMI e intermediárias para A+O.

O desempenho animal pode estar correlacionado com a característica de degradação registrada. A elevada taxa de degradaçãoda MS pode não ser benéfica, pois gera distúrbios metabólicos, como discutido anteriormente. Este fato observado para o suplemento à base de AMI pode ser um dos responsáveis pelo baixo desempenho observado, já que nenhum tipo de controlador de fermentação foi utilizado. Por outro lado, a menor degradabilidadeda MS do suplemento que continha OLE pode não ter fornecido quantidades adequadas de carboidratos e proteínas fermentáveis, sendo que este fornecimento parcial, refletiu em menores ganhos de peso.

Já o suplemento A+O, o qual proporcionou melhor ganho de peso dos animais, pode ter oferecido melhores condições para uma fermentação ruminal relativamente mais equilibrada e em conseqüência ter afetado positivamente o desempenho. Diante da característica de desempenho registrada em ambos os níveis de suplementação e nos diferentes suplementos concentrados, fica aparente que acombinação de diferentes fontes alimentares distribuiuos nutrientes, de modo que não sobrecarregou os sítios de digestão e absorção, e, conseqüentemente, promoveu maior aporte nutricional ao animal, resultando em melhor desempenho.

Outro resultado com efeito significativo (P<0,01) foi o nível de suplementação (Tabela 4). Os animaisque receberam 1,4% do peso vivo apresentaram maior desempenho. O grande propósito, já que se espera maior desempenho em níveis tão distintos de suplementação, é avaliar o diferencial de desempenho e seu impacto no sistema de produção. Os ganhos médios diários foram 489 e 634 g/animal/dia para osníveis 0,7 e 1,4% do peso vivo, respectivamente. A diferença entre os níveis de suplementação gerada pelo consumo de 2,91 kg de concentrado, a mais, foide 145 gramas de peso vivo/dia.

Ficou demonstrado que o aporte de aproximadamente 2,2 kg de NDTfornecidos a mais, refletiu numa superioridade de29,65% no desempenho, para os animais suplementados com o maior nível. Em simulação, utilizando-se o NRC (1996), a diferença para bovinos consumindo este nível a mais de NDT seria de 67,27%. Este fato evidencia que houve substituição, isto é, unidade trocada da forragem consumida porunidade da suplementação fornecida (Pordomingo etal., 1991) do NDT da pastagem pelo do suplemento. Provavelmente, esta substituição reduziu de forma drástica o volume energético diferencial fornecidoaos animais em suplementação de 1,4% do PV. Apesar de não ter sido efetuada mensuração diretade consumo de forragem e, conseqüentemente, de eventuais substituições, observou-se que o diferencial entre o desempenho dos animais suplementados nos níveis de suplementação 0,7 e 1,4% do PV reduziu expressivamente com a melhoria da qualidade do capim. A elevação na qualidade nutritiva da forragem pode ser observada na elevação residual de lâminas verdes apresentada na Tabela 6.
 
Fonte: Antônio Chaker

Diante destes fatos, possivelmente, houve efeito de substituição como esperado e demonstrado por diversos autores (Mooreet al., 1999; Ribeiro, 1999; Thiago, 1999). A disponibilidade de forragem está diretamente relacionada com a produção por animal. Quanto maior for a disponibilidade maior será o ganho individual até um limite de equilíbrio.

Por outro lado, em condições de subpastejo, a dieta selecionada será de baixa qualidade nutricional. Nestas condições, o alongamentodo caule, o avanço do estádio fenológico dasespécies e a reduzida ou ausente propriedade de rebrote das plantas fazem com que os animais tenhamà sua disposição grande proporção de material forrageiro de baixa qualidade nutricional, sendo obrigadosa consumi-los, por questão de sobrevivência(Maraschin, 1994).

Na Tabela 6, encontram-se os níveis residuais de matéria seca para as diferentes frações da forragem. Observou-se crescente oferta de lâminas verdesa partir do mês de agosto, a qual se estabiliza no mês de dezembro. É importante destacar que os níveis residuais apresentados para o mês de julho não apresentaram impacto sobre o desempenho animal, haja vista que logo após a amostragem as características se modificaram devida incidência de geadas. Observou-se que, na maior parte do experimento, osteores protéicos estiveram abaixo de 7,00%, nível mínimo para a atender a demanda de nitrogênio exigido pelas bactérias ruminais. Os teores médios de PB e DIVMS durante o período experimental foram de 6,04 e 51,32%, respectivamente, refletindo baixa qualidade média da forragem neste período.

A produção por animal é constante até atingirem um ponto crítico de oferta de forragem, e além deste ponto o ganho por animal é inversamente relacionadocom a lotação. Por outro lado, o ganho por área aumenta linearmente com a lotação, até o pontocrítico e diminui linearmente com maiores aumentosda lotação (Mott & Lucas, 1952). Diante destes fatos, pode-se inferir que o comportamento do desempenho no decorrer dos períodos esteve diretamente relacionado com a disponibilidadede lâmina e matéria seca verde nos períodos experimentais.

Os períodos apresentaram efeito significativo(P<0,01) sobre o desempenho animal, porém, ainteração período e suplemento não foi observada. O desempenho em função do período é apresentado na Figura 1. Em razão de os animais suplementados no nível de 1,4% do peso vivo terem sido encaminhados ao abate no início do mês de dezembro, a aferição do desempenho destes animais neste mês não foi possível, conforme podemos observar na Figura 1. Houve efeito quadrático (y = -0,51583 + 0,6045x -0,006982x2) e linear (y = 0,006651 + 0,251515x) para o GMD dos animais no período paras os lotes suplementados com 0,7 e 1,4% do peso vivo, respectivamente. A evolução da pecuária de corte está estreitamente relacionada com a redução de idade ao abate.

Tecnologias nutricionais, bem como melhoramento genético, estão em constante busca da redução da idade ao abate. Além da melhora na qualidade da carne, a redução da idade ao abate, muitas vezes, traduz redução de custos e conseqüente elevação no resultado econômico da exploração. Adiantamento de capital e liberação de áreas de pastagem são vantagens diretas, quando se reduz a idade ao abate. Normalmente, as estratégias nutricionais são aplicadasno inverno, promovendo o abate dos animais ainda no período de entres safra. Apesar de não ser significativa como em anos anteriores e, possivelmente, não existir, no futuro, o diferencial do valor da@ do animal comercializado neste período ainda podeser observado. Os dados referentes ao dias de suplementação para o abate são apresentados naTabela 7.

Elevadas diferenças quanto aos dias de suplementação necessárias para o abate dos animais(DPA) foram registradas. Observou-se maior diferencial, correspondendo a 79 dias para o abate entreos animais suplementados com AMI em nível de 0,7% do PV (205 dias) e A+O em nível de 1,4% doPV (126 dias). Para ambos níveis de suplementação, as maiores diferenças foram entre os animais suplementados com AMI e A+O. Estas diferenças observadas foram de 48 e 30 dias para os níveis de suplementação 0,7 e 1,4% do peso vivo, respectivamente. Considerando o menor nível de suplementação(0,7% PV), onde o período médio de suplementação para AMI foi de 205 dias, a utilização do suplemento A+O reduziu a idade ao abate em 23,41% e o suplemento rico em óleo (OLE) reduziu em 3,9%. Para o nível de 1,4% do PV, a redução de dias parao abate para os animais suplementados com A+O quando comparado aos animais suplementados com AMI e OLE foi 30 e 21 dias ou 19,23% ou 14,28%,respectivamente.
 
Fonte: Antônio Chaker
 
Fonte: Antônio Chaker

A diferença entre AMI e OLE foide 5,77% sendo necessário para o abate dos animais suplementados com AMI 9 dias a mais. Quando se avaliaram individualmente os suplementos entre os dois níveis de fornecimento, observou-se que a suplementação de 1,4% do PV reduziu os dias para abate em 49, 50 e 31 dias para os animais suplementados com AMI, OLE e A+O, respectivamente. Considerando que a menor quantidade de diaspara abate foi registrada para o lote suplementado com A+O a 1,4% do PV, e que o menor diferencial entre os dois níveis de suplementação foi para este suplemento, observou-se maior eficiência de utilizaçãodo concentrado A+O fornecido a 0,7% do PV, quando comparado aos demais suplementos nos diferentes níveis. O desempenho produtivo é explicado por eventos biológicos e suas interações com o meio ambiente.
 
Fonte: Antônio Chaker


De outra forma, o resultado econômico depende da interação entre a resposta biológica e os parâmetrosde mercado, isto é, valores de insumos e de venda do animal. Como estes parâmetros de mercado se apresentamem constante flutuação, grande parte dos autores opta em não inferir economicamente sobre os resultados de seus trabalhos. Por outro lado, o desenvolvimento científico direta ou indiretamente visa a aplicação prática.

Esta, por sua vez, é utilizada deacordo com a resposta econômica gerada e seu impacto no faturamento e rentabilidade da empresa. Dessa forma, optou-se por avaliar economicamente os tratamentos do presente experimento, a fim do mesmo servir de balizamento para aplicação práticada tecnologia avaliada. Vale destacar que avaliação econômica foi pautada no diferencial gerado pela suplementação e não pelos valores absolutos obtidos. Para avaliação dos parâmetros econômicos, além do ganho direto gerado pelo desempenho adicionaldos animais, foram considerados os ganhos indiretos.

A Tabela 8 apresenta os valores econômicos obtidos nos diferentes tratamentos e níveis de suplementação. A avaliação foi elaborada para 1 animal, aplicando-se a média dos resultados do suplemento fornecido e nível de suplementação em questão. Dentre os valores obtidos, o único afetado pela escala é o valor presente líquido (VPL), os demais permanecem inalterados.

Observou-se que em ambos os níveis de suplementação, o pior resultado foi para o suplemento rico em amido. O maior custo diário e menor ganh oforam responsáveis pelo prejuízo gerado pelo referente tratamento. O suplemento OLE apresentou o menor custo diário (Tabela 3), por outro lado, este fato não foi suficiente para gerar o maior resultado econômico. ATIR de 6,95 e 2,99% obtida para os níveis 0,7 e 1,4%do PV são suficientes para a suplementação com OLE ser colocada em prática.
 
A suplementação com A+O, ao contrário do AMI, apresentou, em ambos os níveis de suplementação, elevado resultado econômico. Isto se deve, principalmente, ao ganho médio diário(GMD) promovido por esta suplementação. Outro importante dado econômico apresentado na avaliação é que os melhores resultados foram obtidos no menor nível de suplementação. Isto representa que os maiores ganhos médios diários promovidos quando o fornecimento de concentrado foide 1,4% do PV teve eficiência econômica inferior à suplementação de 0,7% do PV.
 
Fonte: Antônio Chaker


Conclusões

A suplementação com concentrados compostospela mistura de alimentos ricos em amido (milho) e óleo(caroço de algodão) proporcionou melhor desempenho dos animais, do que quando suplementados separadamente com as respectivas fontes, independentemente do nível de suplementação. O maior nível de suplementação (1,4% do PV) apresentou eficiência econômica inferior, quando comparado ao menor nível(0,7% do PV).
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Comentários
1 Anônimo em 27/05/10 - 11:56 Citar
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